terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

O profissional

Acorda-se bem cedo, ainda o dia mal se instalou e o corpo parece pesar mais de uma tonelada ao descolar-se do colchão. Lava-se a cara, acordam-se as crianças, prepara-se o pequeno-almoço e em menos de 30 minutos já está no carro a caminho do treino. São 7:45, o treino é só às 10:00, o que quer dizer que tem cerca de duas horas para preparar o corpo e a mente para nos 90 minutos de treino conjunto estar pronto para explodir e ultrapassar os seus limites. São duas horas que podem começar de formas diferentes, se estiver com cansaço acumulado da semana ou jogo, uma sessão de massagens para soltar o ácido láctico dos músculos enquanto se passeia a vista pelas notícias ou se fala com o massagista. Já com o corpo solto é hora de passar pelo ginásio, sozinho ou em pequeno grupo trabalha-se com o Personal Trainer grupos musculares específicos, tal como previsto no plano de treino, puxa-se um bocadinho pelo corpo, puxa-se pelo espírito dos colegas que também se debatem contra o ferro, cria-se alma de grupo e o corpo já vai mais emproado para a relva. Toca-se pela primeira vez na bola, amiga de sempre, remata-se à baliza, dá-se uns toques e soltam-se uns passes. Ensaiam-se movimentos entre 3 ou 4 jogadores que se têm trabalhando com insistência nos últimos dias, trocam-se impressões… São 10:00, entra a equipa técnica completa sobe ao relvado e durante 90 minutos a concentração é a de uma final da Champions. Acaba o treino, depois do merecido duche segue-se para um almoço de atleta, preparado e equilibrado nutricionalmente por um especialista tendo em conta as características metabólicas do atleta. Não é o melhor sabor do mundo, mas o corpo de um atleta é como um carro, com combustível fraco não vai tão longe, não vence corridas. Depois do almoço é tempo de recuperar de novo o corpo, pode ser uma pequena sesta relaxada, pode ser nova massagem, pode ser um banho revitalizador, pode ser uma sessão de reiki ou de acupunctura, tudo depende das características e orientações dadas pelos especialistas do clube. Regressa-se ao centro de treino, analisa-se teoricamente o próximo adversário, corrigem-se aspectos menos bons da equipa, discute-se, envolvem-se todos os jogadores na construção da ideia de jogo da equipa sob orientação do técnico, capaz de ouvir o que o jogadores têm para dizer, contrapor-lhes com ideias opostas, problematizar, potenciar sinergias e forças que cada profissional tem para dar. Calçam-se as botas e trabalham-se detalhes e pormenores maiores que decidem jogos e títulos. Toma-se banho e amanhã há mais do mesmo. Agora relaxa-se um pouco, vai-se buscar os filhos à escola, vai-se às compras, leva-se um filme, um livro ou outra coisa qualquer. Junta-se a família, janta-se, conversa-se, partilham-se as histórias de cada um. Deita-se os filhos, abraça-se a mulher e no fim dá-se descanso ao corpo que dentro de 7/8 horas torna a pesar toneladas para levantar do colchão, mas que à flor do relvado é como um bailarino alado em busca da glória.


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