quarta-feira, 23 de março de 2011

Pilares

Vivem-se momentos decisivos para o futebol leonino. Nos próximos dias ir-se-á escolher um novo caminho para o Sporting. Desta feita a pluralidade de ideias manifestou-se e os sócios terão oportunidade de optar por uma das diferentes soluções apresentadas. Foi, sem dúvida, um claro sinal de vitalidade de um clube que parecia moribundo e que encontra neste novo período uma possibilidade de recuperar e soltar-se do que o prende contra a parede. Se este novo fôlego e resiliência manifestada a nível directivo é de saudar, a nível desportivo, no que ao futebol diz respeito, é importante perceber o que é que resta e quais são os pilares nos quais se deve construir o futuro próximo do Sporting. As propostas eleitorais a nível técnico incidem numa aposta clara pela escola holandesa, caracterizada pelo futebol ofensivo e tecnicista, alicerçado numa estrutura que promove a formação de jogadores. É, sem sombra de dúvidas, uma filosofia que está no ADN do Sporting Clube Portugal desde sempre. Esta concomitância ideológica poderá trazer grandes benefícios para Sporting, quer a curto, quer a médio-longo prazo. Se a ideologia permitirá construir um futuro promissor e adequado à história do clube a longo prazo, a urgência do futuro próximo pede competência mais do que ideológica a um treinador. Exige-lhe grande competência na construção táctica da equipa, tão fustigada esta temporada. Esta descaracterização na arquitectura táctica que a era Paulo Sérgio trouxe fez crescer um enorme ponto de interrogação no valor dos actuais jogadores e na capacidade destes contribuírem para o futuro do amanhã.

Desta forma, debrucemo-nos no tema principal deste post: quais são os jogadores pilares do actual futebol do Sporting? Sobre que núcleo de jogadores se deve construir? A saída de Liedson constituiu o derrube de um desses eventuais pilares, uma vez que o seu estilo de jogo influenciava em grande medida a dinâmica ofensiva da equipa, ou seja, poucos apoios frontais para os médios, detrimento do passe vertical pelo centro do terreno e primazia pela verticalidade nos flancos, potenciando o oportunismo de Liedson e desorganização defensiva das outras equipas. Foi assim que Liedson coleccionou golos nos últimos anos e conquistou o coração dos adeptos do Sporting, sendo de longe o jogador mais influente do Sporting a nível ofensivo. O presente, no entanto, não contempla Liedson, e o actual ponta-de-lança titular do Sporting é Hélder Postiga. Vale a pena construir sobre Postiga? Claro que sim. A ineficácia do avançado português é desesperante e o número de lances que cria é incompatível com a quantidade de golos que tem. Postiga carece de mais concentração no momento de finalizar, porque leitura e vontade de marcar tem de sobra. No entanto, o jogo de Postiga abre espaço para o surgimento de um colega avançado que saiba ler o jogo com inteligência e aproveitar as oportunidades que Postiga oferece como segundo avançado. Não será necessário um “pinheiro” que se limite a encostar para o fundo da rede, mas um bom finalizador que aproveite lendo o jogo que o avançado português cria, aproveitando o espaço e ajudando Postiga no apoio vertical aos médios, sem destruir esse futebol envolvente que Liedson nunca soube interpretar.


No meio-campo um dos pilares é Jaime Valdés, de longe o melhor médio do Sporting. A sua capacidade táctica e técnica, aliada a larga experiência competitiva oferecem ao Sporting garantias para o presente e para as próximas épocas, uma vez que é capaz de se tornar no líder de balneário que tanto carece a equipa leonina. Saber aproveitar Valdés para ser mais do que um mero jogador a prazo e torná-lo numa referência para as gerações vindouras poderá ser o segredo para promover o fim da mediocridade a nível de jovens médios ofensivos do futebol português. Por seu turno, André Santos e Pedro Mendes são duas peças que, por razões diferentes, muito podem fazer pelo Sporting. Pedro Mendes é um jogador cujas capacidades atléticas começam a fazer a diferença pela negativa no seu futebol, que nunca foi físico. As lesões que vem acumulando começam a prejudicar gravemente a possibilidade de se estabelecer como titular no meio-campo e referência no primeiro momento de construção de jogo. Aqui surge a oportunidade para André Santos, um jogador em franco crescimento. Não sendo prodigioso, o jovem leão pode oferecer no curto prazo uma opção credível ao seu treinador para o centro do terreno uma vez que é um jogador muito completo e combativo. Com o tempo e com dedicação poderá tornar-se um grande médio-centro da Liga portuguesa.

Na defesa Carriço é o principal pilar e ainda nem perto do seu potencial está a jogar. Aliás, a permanência de Carriço numa equipa tão moribunda tem contribuído para que o seu desenvolvimento não tenha sido ainda mais potenciado. Fazia falta um grande central ao seu lado, um Polga de há uns anos atrás, forte psicologicamente e no campo para dar espaço para a juventude de Carriço florir, seja em grandes jogos, seja em erros de critério próprios do desenvolvimento de um jovem jogador. Este são os pilares mais fortes do Sporting actual, mas existem outros jogadores que na dinâmica adequada podem render muito ao reino do leão: João Pereira, Vukcevic, Salomão, Saleiro, Zapater, Evaldo ou Nuno André Coelho. Cabe ao próximo treinador estudar bem as oportunidades e as forças do actual plantel antes sequer de se pensar em destruir e começar tudo do zero. O Sporting tem valores individuais muito, mas muito acima do zero.

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