terça-feira, 1 de março de 2011

Poder central

Embora seja um confesso apreciador do futebol com a bola bem rente ao relvado, o certo é que o esférico quando pontapeado com bastante força noutro sentido que não o horizontal tende a subir, sendo posteriormente afectado pela força gravítica que o faz retornar à relva. Nesse momento descendente existe um senhor na Liga Portuguesa que se destaca dos demais, uma vez que é uma força dominadora nesta luta nas alturas, quer no momento defensivo, quer no momento ofensivo. Chegou à Luz ainda muito verde e os defeitos vinham escancarados à vista de qualquer um, tendo até dificuldades em posicionar-se correctamente para abordar os lances aéreos. Recordo-me mesmo de Trapattoni a realizar trabalho específico com o gigante trapalhão. Mas os anos passaram-se e Luisão foi acumulando muitos jogos e maturidade que hoje, sob a batuta de Jesus, assume a sua forma mais dominante. A evidente lentidão e pouca técnica do seu jogo levam a que seja considerado um central demasiadamente incompleto, ou seja, que as suas virtudes não chegam para colmatar as suas lacunas. No entanto, a linha defensiva do Benfica é neste momento uma máquina tão bem oleada que Luisão parece ser o melhor central da Liga, mesmo que não deixe de ser limitado. Saber aquilo em que se é bom e aquilo em que se é mau é um sinal claro de maturidade e saber gerir essa relação plasmando-a no jogo poderá ser uma chave para o sucesso. Vimos nestas últimas semanas a defesa do Benfica a jogar bem próxima da sua área (contra o Porto e Sporting) e bem longe da mesma (contra o Marítimo e o Estugarda na Luz), sendo que Luisão, exceptuando no golo sofrido na Luz frente aos alemães (mais por culpa da ausência de pressão no meio campo sobre Kuzmanovic que assiste Harnik), nunca expôs as suas debilidades e mostrou todo o seu poder, quer a dominar as tentativas de jogo directo dos adversários, quer a aparecer em oportunidades de golo nas bolas paradas ofensivas. Para além disso, o gigante brasileiro é um dos líderes do grupo encarnado, sendo um belo exemplo para os seus companheiros de que saber dominar as debilidades e encontrar estratégias que as contornem, pode levar ao sucesso. Um dos motivos pelos quais a saída de David Luiz ainda não se fez sentir de forma evidente, reside na confiança que Luisão transmite ao seu companheiro de sector, seja Sidnei ou Jardel, uma vez que o girafa mostra a cada jogo que passa que com audácia e determinação, mesmo o mais lento e tosco dos centrais trama o mais virtuoso avançado que se descuide e caia na armadilha do fora-de-jogo.

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