quinta-feira, 3 de março de 2011

Reminiscências do derby da Luz

São já 18 os jogos consecutivos em que o Benfica sai vencedor. Esta sequência fantástica manteve-se, desta vez à custa do velho rival. Transfigurada, a equipa do Sporting apresentou-se na Luz com vontade de discutir a eliminatória e um lugar na final, tendo mesmo dominado os primeiros minutos do jogo culminando esse ascendente com um golo de Postiga, com mais um frango de Roberto. O guarda-redes do Benfica é um protagonista maior em diversos jogos, quer pelos golos que consente, quer pelas defesas decisivas que dão vitórias ao clube encarnado e que ontem voltaram a surgir a impedir um golo ao cair do pano de Matias Fernandez. Mas se o golo tardio não surgiu na baliza encarnada por mérito de Roberto, outro espanhol do Benfica surgiu em evidência ao sentenciar a partida para lá do minuto 90. Javi Garcia foi mesmo dos melhores em campo, mesmo sendo alvo de pressão extra por parte dos atacantes leoninos durante todo o jogo que lhe complicou bastante a condução de bola e passe para os médios mais ofensivos. Foi uma abordagem táctica interessante por parte dos comandados de Couceiro, que mostraram mais organização e mais ideias de jogo colectivo do que na recém-extinta era Paulo Sérgio. No entanto, os extremos avançados do Sporting estiveram em noite de desinspiração, com Yannick e Vukcevic a darem uma pálida imagem da sua valia, não aproveitando uma das brechas que a equipa do Benfica costuma consentir na sua abordagem ao jogo, o avanço dos defesas laterais. Assim, a visivelmente cansada equipa de Jesus, conseguiu suster as investidas leoninas e partiu para ataque continuado nos momentos finais do jogo conseguindo derrubar a resistência do Sporting nos descontos do segundo tempo. Numa noite pálida dos jogadores mais criativos do Benfica, sobrou a vontade da equipa em vencer face a um Sporting demasiado abatido para conseguir ultrapassar um obstáculo tão difícil. Cardozo também demonstrou os seus argumentos ao voltar a marcar num derby lisboeta, começando a construir um currículo significativo de golos contra os leões. O ponta-de-lança paraguaio revelou muita qualidade no posicionamento entre os centrais adversários arrastando marcações e abrindo espaços para os colegas, constituindo sempre uma referência no jogo aéreo, quer proveniente de cruzamentos, quer na disputa pela bola longa enviada pela defesa encarnada.

Ao Sporting resta-lhe a consolação de ter evidenciado melhorias e que existe ainda algo sobre o qual se pode construir o futuro. Couceiro transmite mesmo essa ideia ao mundo leonino, apresentando uma solução sensata para a próxima temporada, relevando a pertinência de assegurar o 3º lugar na classificação da Liga para evitar um playoff precoce para a Liga Europa o que dará mais tempo para o próximo técnico cimentar as suas ideias. Os valores da equipa do Sporting continuam lá e existe uma base de alguns jogadores com os quais se podem aspirar outros voos, como os casos de André Santos, Daniel Carriço, João Pereira e Valdés. O futuro do Sporting não passa por mais uma razia no elenco do plantel, mas sim na capacidade de identificar as forças e fraquezas do actual plantel, de forma a reforçar somente as zonas mais críticas, abrindo espaço também para que alguns jogadores jovens possam aparecer na próxima época, como os casos de Saleiro, Pereirinha, Adrien, Salomão e Zapater.
Já no domingo espera ao Benfica uma deslocação complicada a Braga que será um dos jogos chave da época encarnada. O cansaço acumulado nas pernas dos jogadores mais influentes bem patente nas duas últimas vitórias na Luz já nos descontos, a lesão de Aimar, o pior momento de Saviola e a série louca de jogos em que os encarnados se encontram, poderá ditar o adeus ao título bem antes do Porto dar a eventual escorregadela que poderia colocar um carácter mais decisivo ao clássico agendado para a jornada 25 na Luz. Veremos o que sucederá aos comandados de Jesus na missão dificílima que terão pela frente na cidade dos arcebispos.

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