A conjuntura seria mais perfeita se este jogo fosse de título para ambas as equipas, no entanto, o título está mais do que do lado dos portistas, restando saber quando e onde é que os comandados de André Villas-Boas vão fazer a festa. O estádio da Luz é o primeiro local onde uma vitória portista poderá levar às ruas do Porto milhares de adeptos em celebração pela reconquista do título, no entanto, do outro lado vão encontrar o único adversário português à altura do futebol do Porto. Jorge Jesus promete jogar com um Benfica de ataque, distinto daquele que conseguiu vencer no Dragão para a Taça de Portugal. Se nos lembrarmos desse último clássico entre dragões e águias, recordamos um Porto sem ideias e com futebol previsível, frente a um Benfica concentrado e muito bem posicionado em todo o relvado. Um jogo sem falhas da parte dos ainda campeões nacionais, exceptuado a expulsão de Fábio Coentrão.
Para o jogo de amanhã o factor casa poderá levar o Benfica a adoptar uma postura mais dominadora no encontro, ou pelo menos, tentar dominar. Do outro lado, o Porto em franco crescendo de forma, terá como primeira tarefa entrar no jogo concentrado e abstraído do circo que se montou em torno deste jogo, uma vergonha para o futebol português. A violência não passa ao lado dos jogadores, sendo que na primeira volta do campeonato o Benfica foi extremamente ameaçado por actos de violência de fanáticos adversários que, em certa parte, explicam o desvario que foi plasmado no relvado, com um 5-0 final histórico. Nestes dias que antecederam o clássico de amanhã, dirigentes encarnados e portistas voltaram a abrir a ferida da violência, cabendo-nos apenas esperar que nada de grave aconteça amanhã e que a rivalidade se cinja ao jogo de futebol.
Para Villas-Boas surge uma boa dor de cabeça para este jogo, face ao futebol que Guarín tem demonstrado nos últimos tempos. A sua colocação em campo em detrimento de Bellushi no onze inicial não será descabida, no entanto, um Benfica mais ofensivo poderia abrir mais espaços na retaguarda que poderiam ser aproveitados com a superior leitura de jogo do argentino. Sem dúvida que problemas destes todos os treinadores desejam. Jorge Jesus terá de saber gerir bem o momento dos seus jogadores. Tal como referimos anteriormente, o Benfica apresenta-se numa trajectória descendente após o apogeu de 18 vitórias consecutivas em todas as competições. Será que amanhã Jesus terá os jogadores do Benfica que jogaram em Paços de Ferreira, ou os que receberam o PSG na Luz? Apesar de ambos os jogos o Benfica ter vencido, é evidente que uma exibição frente ao Porto igual à que vergou os franceses por 2-1 será insuficiente para travar a festa portista, tal a qualidade do conjunto azul. A nossa aposta vai para uma vitória do Porto, uma vez que é a única equipa que corre face a um objectivo concreto, a um título, a uma vingança ante um rival que na época anterior sentenciou o insucesso do Porto no estádio da Luz, com a polémica suspensão de Hulk e Sapunaru. Ao Benfica resta-lhe defender a sua honra e não permitir a festa dos seus adversários em plena casa da águia, retribuindo ao Porto a receita aplicada pelos dragões na época passada que não permitiram a festa do Benfica no Dragão. Assim, a melhor qualidade do futebol do Porto face ao do Benfica (também muito bom, diga-se) aliada ao sentimento de conquista, serão as bases para o triunfo portista de amanhã. Ou será que os jogadores do Benfica terão um último grito de campeões?



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