sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ao ritmo do talento


Existem inúmeros factores por trás do sucesso de uma equipa. Mas existe um especificamente que potencia todas as outras – o talento. O Benfica para a época de 2011/12 vai arrancar com uma dose extra de talento face ao ano transacto. Esse incremento espelha-se, essencialmente, nas entradas de Garay, Witsel, Nolito, Enzo Pérez e Bruno César. Destaco apenas estes jogadores da restante onda de reforços por considerar que poderão emprestar muito mais valor aos encarnados. Emerson ou Capdevilla irão assumir também uma parte importante na manobra da equipa, no entanto, o seu impacto no presente será menor do que os supracitados. Os restantes reforços são enormes pontos de interrogação e terão de provar o seu valor com muito trabalho ao longo da temporada, como os casos de Mora, Matic, David Simão, Urreta e Nelson Oliveira.
Para hoje em Barcelos o Benfica deverá apresentar um onze assente num 4-1-4-1 muito dinâmico, com Witsel a descer mais no momento defensivo organizado desenhando um 4-2-3-1 no campo. No momento de transição defensiva a pressão alta que o Benfica aplica sobre o adversário aquando da perda da posse no último terço do terreno faz com que desenhe um 4-3-3 com Aimar a pressionar bem alto pelo flanco direito, Saviola a pressionar a zona central e Nolito mais descaído pela esquerda. No momento de organização ofensiva o Benfica poderá desenhar um 4-1-3-2 com Nolito a subir para zonas de finalização a par de Saviola, com Gaitán partindo de frente para o jogo sobre a direita. Neste momento do jogo Aimar e Witsel ocuparão zonas mais centrais, com o belga a fazer a cobertura ofensiva consoante o posicionamento de Gaitán e Nolito, compensando as investidas que qualquer um dos dois possa fazer na direita ou na esquerda posicionando-se, ora na meia-direita, ora na meia-esquerda.
Assim, prevê-se um onze inicial composto por Artur na baliza; Rúben Amorim, Jardel, Garay e Emerson na defesa; Javi Garcia, Witsel, Aimar, Gaitán e Nolito no meio-campo; e Saviola no ataque. Porquê Witsel e não Enzo Pérez? Apenas pelo estado de graça do belga e da condição física do argentino que vem de uma lesão muscular, uma vez que ambos podem cumprir o mesmo papel no esquema táctico acima descrito. O belga dá mais vigor físico, mas perde em criatividade para o talentoso argentino. Porquê Nolito e não Cardozo? Também pelo estado de graça do espanhol e pela sua atitude dentro do campo num jogo tão especial como o de hoje. Nolito oferece muito maior agressividade ao ataque do Benfica do que Cardozo e essa atitude de partir para cima do adversário imprimindo grande velocidade ao ataque pode ser um elemento chave para o Benfica conseguir encostar o Gil Vicente atrás e chegar a um golo que lhe permita gerir melhor o ritmo do jogo.

A defesa poderá ser o principal problema do Benfica para hoje. Com Maxi Pereira a regressar de férias e sem ritmo, Rúben Amorim deverá ser o titular, mas a sua prestação frente ao Arsenal revelou falta de entrosamento nas subidas da linha defensiva deixando os avançados permanentemente em jogo. Jardel, Garay e Emerson pela falta de conhecimento mútuo poderão levar a uma limitação nas subidas no terreno o que poderá conduzir a uma falta de ligação com o meio campo, levando a um incremento do espaço entre linhas. Será Javi Garcia a ter de ocupar esse espaço, sendo Witsel um vaivém, ora apoiando o ataque, ora recuperando para restabelecer o equilíbrio defensivo. Até aqui Witsel parece ser melhor escolha do que Enzo Pérez porque a sua estampa física e passada larga poderá ser a chave para impedir alguns ataques em transição dos gilistas.
Em suma, do ponto de vista organizativo o Benfica apresenta algumas debilidades na ligação entre a defesa e o resto da equipa devido aos seus defesas serem mais competentes a jogar em bloco baixo do que em bloco alto, com especial destaque para Jardel e Amorim (apesar de ser um médio tem dificuldades na aplicação do momento de subida e descida da linha defensiva). No entanto, a nível ofensivo Aimar tem estado em evidência na pré-temporada e com dois jogadores à sua frente que soltam tão bem a bola como Nolito e Saviola este jogo promete. Gaitán será o joker do ataque dos encarnados, uma vez que a forma sublime como conduz a bola e queima linhas da equipa adversária permite-lhe sozinho ser capaz de resolver o jogo.

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