Os jogos do fim-de-semana passado e da jornada europeia serviram para sublinhar o momento actual das principais equipas do futebol português. O Sporting empatou ambos os jogos e realçou o momento difícil que vive, ao passo que o Porto manteve a senda vitoriosa com pouco brilho e alguma sorte ao sair vencedor de dois jogos extremamente complicados. O Benfica surge nesta altura da época como a equipa que melhor futebol pratica em Portugal. Paga no entanto com os erros do início de temporada acumulando uma distância talvez demasiado grande para o líder azul. O jogo de amanhã coloca frente a frente os dois clubes mais emblemáticos da capital portuguesa, que se encontram em pontos futebolísticos muito distintos. O Sporting arca o peso de uma época desgastante quer a nível directivo, quer a nível desportivo. Os adeptos leoninos aguardam com espectativa o futuro que as próximas eleições irão trazer. Sem a euforia de outros tempos o Sporting de amanhã terá de entrar bem no jogo e assumir o seu comando de forma a manter jogadores e adeptos moralizados para a vitória. Um golo madrugador do Benfica atiraria ao tapete a deprimida facção sportinguista, mas a pressão também tem o seu peso para os lados da Luz. Os comandados de Jesus arcam com a responsabilidade de vencer no terreno da sua némesis de forma a encurtar para 8 pontos a distância para o líder e sustentar por mais umas jornadas o sonho da revalidação do título. Para além de toda a atmosfera histórica de rivalidade que o derby Sporting-Benfica acarreta consigo, o de amanhã coloca em campo o orgulho leonino contra a última esperança encarnada de chegar ao título, restando saber se o orgulho desorganizado do Sporting será capaz de derrubar a ambição artística dos encarnados. A aposta do Magnífico Overlapping vai para uma vitória encarnada, que relance a disputa do campeonato e que agregue os sportinguistas para a revolução que tanto precisam.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
O ponta-de-lança perfeito
Na ressaca da saída do veterano Liedson do Sporting, relembramos que o ponta-de-lança mais talentoso da liga portuguesa se chama Radamel Falcao. Contrariamente ao brasileiro, Falcao não é tão vedeta, não tem tantos golos no seu historial, mas contribui muito mais para a produção ofensiva da sua equipa. As suas movimentações dentro e fora de área, contribuem decisivamente para o estado de graça que hoje se vive no reino do dragão, renegando o papel de estrela mais cintilante, mas sendo o motor ofensivo do melhor ataque da competição portuguesa. A sua ausência em muito poderá explicar o eclipse do Porto espectáculo nos últimos jogos. Presentemente é o melhor marcador da Liga Europa, mostrando que nos palcos mais exigentes o seu futebol tecnicista é superior ao de Hulk, bem mais físico e carente de mais espaço, ao passo que o colombiano cria espaço onde não há espaço abrindo a porta aos colegas. Dificilmente o Porto conseguirá segurar tanto talento no futebol português, por isso é melhor apreciar enquanto Falcao por cá voar. Provavelmente não terá bancadas cheias a chorar a sua partida, como Liedson, mas seguramente que o seu treinador terá um problema bem maior para resolver do que propriamente Paulo Sérgio sem o levezinho.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
O clássico: ataque vs. ataque? Ganhou a defesa...
Um clássico é sempre um clássico e o de ontem foi carregado de intensidade emotiva, com uma das equipas a claudicar emocionalmente – o Porto – e outra equipa extremamente assertiva e competente assumindo um estilo de jogo conservador e expectante. Havíamos apontado na análise anterior ao jogo que a posse de bola ia ser determinante para definir o vencedor do jogo. Enganamo-nos, redondamente. O Porto teve a bola, mas isso não foi pecado nenhum para Jesus, uma vez que os homens de Villas-Boas pouco ou nada souberam fazer com ela. Lastimável a forma como uma equipa com tanta posse de bola despachava-a em passes directos da defesa para os flancos de ataque, sem que depois sequer voltasse ao centro. Os lances ofensivos do Porto basearam-se em investidas individuais dos seus avançados que quase sempre redundaram em insucesso, batendo vezes sem conta na muralha defensiva do Benfica. E mesmo nos raros momentos em que conseguiram passar a oposição decidiram invariavelmente mal o que fazer com a bola nesse último espaço de terreno, incapazes de pensar o jogo de maneira diferente que não o cruzamento para o ausente ponta-de-lança. O Benfica teve a abordagem ao jogo que prevíamos, no entanto, o Porto foi uma sombra de si mesmo. Contra linhas tão recuadas e tão juntas os jogadores do Porto foram incapazes de trocar a bola entre si, pacientemente, usando a circulação da bola como isco para desposicionar os jogadores encarnados. Foi um péssimo espectáculo apresentado pelos dragões, contra um Benfica incapaz de se impor pelo seu jogo ofensivo e de controlo, optando por dar a iniciativa ao Porto e partir para o contra golpe onde, graças à capacidade de Coentrão em “queimar” linhas, disferiu os ataques com tremenda eficácia e frieza. Nesta capacidade de atacar bem e com poucos jogadores esteve a base do sucesso do Benfica, juntando-se o rigor e a concentração defensivas permitiram que este tipo de jogo na “corda bamba” fosse um sucesso. Não é este tipo de futebol que gostamos de ver vencer, nem o que o Porto apresentou, evidentemente, mas seguramente que o Benfica sai do Dragão com mais do que uma vitória, sai com uma equipa com espírito de grupo reforçado. Tal como o Inter de Mourinho apostou num tipo de jogo na “corda bamba” aquando da deslocação a Barcelona (perdendo por 1-0, mas apurando-se para a final da Liga dos Campeões com o resultado conjunto das duas mãos), Jesus fechou o Benfica atrás e assumiu o risco de jogar à defesa e saiu vencedor. Apesar de parecer contraditório, acreditamos que jogar à defesa, com linhas tão recuadas é muito mais arriscado do que jogar com a equipa mais subida e privilegiando a posse de bola, em que o controlo sobre o adversário pode ser muito mais facilmente imposto.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Dia de clássico
Para os adeptos o dia de clássico é sempre expectante, o jornal é lido com mais atenção, tudo na busca de informação que possibilite prever o imprevisível. Esta época Porto e Benfica já se encontraram duas vezes, e em ambas os dragões deram uma demonstração cabal de toda a sua qualidade vencendo sem contestação os dois jogos, tendo mesmo o último desafio redundado num estrondoso 5-0. A lógica diz-nos que o Porto com estes antecedentes tão recentes é mais do que favorito, aliando isto a toda a capacidade da equipa para explanar as ideias fantásticas do seu treinador no terreno de jogo. O Porto joga bem, joga o melhor futebol da Liga e só perdeu por uma vez em cerca de meio ano de competição. Por seu turno, o Benfica é uma equipa tacticamente muito bem organizada, tal como o Porto, apresenta ideias de jogo ofensivo estruturadas na criatividade do seu quarteto argentino de ataque (Aimar, Saviola, Gaitán e Salvio) e vem de uma série entusiasmante de 8 vitórias consecutivas num só mês. A balança não tem pesos assim tão desequilibrados na teoria, mas o factor casa pode ser decisivo nesta partida, uma vez que pode empurrar os dragões para momentos de ataque continuado que encostem atrás um Benfica que se poderá retrair face ao ambiente e ao peso dos 5 golos sofridos na última visita ao reduto do Dragão.
Janeiro deixou uma marca nos onzes iniciais de ambas as equipas, seja derivado a vendas (David Luiz), seja por lesões (Álvaro Pereira e o suplente Emídio Rafael), os técnicos não vão poder escalonar o onze mais forte que em potência poderiam apresentar. No entanto, as alternativas que a profundidade que ambos os plantéis apresentam asseguram a manutenção de níveis mínimos de qualidade, podendo claudicar fisicamente nos períodos finais do encontro. Será muita a competitividade e a chave para o sucesso neste jogo passará pela posse de bola. É inconcebível que algum dos técnicos monte uma estratégia de contra golpe para este jogo, tendo em conta que as dinâmicas de ambas as equipas privilegiam a posse da bola. O vencedor deste confronto será a equipa que melhor tratar a bola aquando do seu poder, e nesse aspecto a equipa que joga no ambiente hostil terá de ter grande capacidade mental para não deixar que isso afecte as tomadas de decisão dos seus jogadores. A aposta do Magnífico Overlapping aponta para uma vitória do Porto, quer pelo factor casa, quer pela presumível tentativa do Benfica em levar a decisão da eliminatória para a Luz o que, por certo, influenciará o seu jogo para uma toada mais defensiva e de expectativa sem a bola, o que será o pecado de Jesus.
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Revolução leonina
Ventos de tempestade assolam as hostes leoninas nesta temporada de 2010/11. Se aquando da sua chegada José Eduardo Bettencourt incrementou o espírito ecléctico, berço de talento e de fair play no futebol português, o tempo encarregou-se de esbater essa imagem, enegrecida por um desempenho desportivo francamente desapontante para o secular clube de Alvalade. Entre o fim do projecto com Paulo Bento e a dança constante de treinadores, salvaram-se poucas referências na equipa, proliferando casos e problemas de balneário que se estamparam no jogo leonino, sem a chama nem o perfume único dos leões. Pelo meio dos erros de casting e saídas de jogadores nucleares, sobejam jogadores de grande valor, que merecem ser tidos em conta, muito mais agora que é necessário sangue novo e determinação para devolver o Sporting ao seu lugar de pertença, ombro a ombro com os rivais Benfica e Porto. Criticar e apontar os erros da má gestão leonina não é um exercício complexo, desde problemas financeiros, directivos, homens errados para os postos errados, de tudo um pouco se passou no Sporting e as saídas dos seus jogadores mais carismáticos marcam um corte radical com o passado recente do clube, o único clube português para além do Porto de Mourinho a figurar numa final europeia neste novo século. O talento nascido no berço do leão passeia-se agora com outros uniformes vestidos, quer em clubes nacionais, quer internacionais, deixando de coração dividido os adeptos sportinguistas, fieis ao clube e, ao mesmo tempo, magoados com as saídas dos seus ídolos. A crise do Sporting vai para além do plano desportivo, é uma crise de identidade, com figurinos desconexos da história do clube a entrarem como reforços. Paulo Sérgio é o homem do leme de um barco que todos parecem querer fugir e a política de contratações deste mercado invernoso não traz perspectiva de bonança da tempestade leonina. Resta ir buscar ao valor dos jogadores a coragem de levantar o clube de baixo para cima, do relvado até às elites com os poucos valores que sobejaram e com a classe chilena que empresta a Portugal um pouco de talento, quando no seu mais fértil berço a tempestade afoga os pequenos leões antes do seu futebol poder emergir.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Porto de antologia
Pegue no vídeo da primeira parte do jogo Porto-Nacional de 26 de Janeiro de 2011 e reveja-o sempre que sentir saudades de futebol de classe, rendilhado por passes de primeira à flor do relvado, passes por cima dos defesas, desmarcações de todos os jogadores, sempre num futebol apoiado com recepções orientadas de fazer crescer água na boca e, evidentemente, golos para rever vezes sem conta. André Villas-Boas chegou ao FC Porto camuflado de treinador jovem e inexperiente. Desenganemo-nos, Villas-Boas tem já um currículo invejável por qualquer técnico do futebol mundial, recheado de títulos, em grandes clubes europeus e sempre muito bem acompanhado. A sua chegada a técnico principal seria uma questão de tempo e, tal como pautou a sua carreira até hoje, essa estreia foi precoce e auspiciosa, colocando a Académica de Coimbra a jogar um futebol de posse de bola e domínio de jogo, muito pouco ortodoxo para o estilo de jogo tradicional das equipas mais modestas do nosso campeonato. Chegado a um grande, após o fracasso nas negociações com o Sporting, Villas-Boas transformou um Porto marcado por épocas consecutivas de futebol baseado em transições rápidas, para um estilo mais contemporâneo e orientado para a filosofia de jogo muito em voga para os lados da Catalunha, com constante controlo da bola e construção de jogo focalizada no centro do terreno. Seja colocando os extremos com os pés “trocados”, seja avançando o pivot defensivo do meio campo para funções mais ofensivas que não apenas a recuperação de bola e passe para o lado, o espaço interior é sempre privilegiado. Um futebol de tão boa qualidade e com tão bons princípios de jogo, aliado a um plantel de jogadores com mais qualidade que a maioria dos plantéis da Liga, deslumbra e cria índices de confiança tão elevados que não será descabido aspirar a voos mais altos na Europa do futebol. Será muito difícil para a concorrência desalojar uma equipa destas do primeiro lugar da Liga. Por maior que seja a sequência de vitórias dos adversários, o Porto parece estar sempre dois passos à frente, e Villas-Boas comanda rumo a um horizonte dourado para os dragões.
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
O fantástico Fábio Coentrão
Pode parecer contraditório, mas o melhor lateral-esquerdo da Liga portuguesa joga de Dragão ao peito e chama-se Álvaro Pereira. No entanto, Fábio Coentrão é melhor jogador que Palito. Ou seja, neste momento é redutor afirmar que Fábio Coentrão é um lateral-esquerdo, porque ele é muito mais do que isso. Podemos dizer que o seu futebol começa da posição de lateral-esquerdo e prolonga-se por todo o campo, redundando no momento defensivo na posição de partida, sempre com o apoio próximo de Gaitán (muito mais disciplinado tacticamente do que no início da temporada). No entanto, o expoente máximo do seu futebol é no ataque, com dribles, tabelas, passes milimétricos, recepções de bola magnéticas e muita magia a sair das botas coloridas. Ver um jogo de Fábio Coentrão é uma maravilha para qualquer amante do futebol tecnicista tradicional do jogador português, com finta curta, orientado para o colectivo, num estilo de dominância ofensiva, sem poder choque, mas cheio de requinte.
Encaixá-lo em campo na posição de lateral-esquerdo foi a melhor opção para Jorge Jesus, num Benfica que se quer dominador em praticamente todos os jogos do campeonato, pese embora que parte do seu talento ofensivo perde intensidade com o correr dos minutos e o acumular de cavalgadas desde a defensiva até à área adversária. Num campeonato mais competitivo talvez não fosse descabida a ideia de recuperar Coentrão para terrenos mais próximos da linha de meio campo, encaixando no protótipo perfeito de médio-esquerdo europeu, fortíssimo do ponto de vista técnico e voluntarioso para o trabalho de equipa, seja este de dinâmica ofensiva ou defensiva. Esta sua característica de jogador voltado para o colectivo pode ser uma importante mais-valia para equipas que beneficiem o jogo interior em detrimento do futebol arrastado pelo corredor lateral, por isso a aposta como médio-esquerdo talvez fosse mais proveitosa do que lança-lo como extremo-esquerdo, demasiado exposto ao choque físico com o defesa adversário sem vir embalado em velocidade.
Fábio Coentrão é o mais emergente talento do futebol português da actualidade e o conforto com que a bola se cola nas suas botas mesmo a grande velocidade encanta-nos de cada vez que o vemos jogar futebol. A sua manutenção em Portugal será muito curta, cabendo-nos aproveitar enquanto podemos a magia do seu futebol nos nossos economicamente modestos relvados.
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