Pegue no vídeo da primeira parte do jogo Porto-Nacional de 26 de Janeiro de 2011 e reveja-o sempre que sentir saudades de futebol de classe, rendilhado por passes de primeira à flor do relvado, passes por cima dos defesas, desmarcações de todos os jogadores, sempre num futebol apoiado com recepções orientadas de fazer crescer água na boca e, evidentemente, golos para rever vezes sem conta. André Villas-Boas chegou ao FC Porto camuflado de treinador jovem e inexperiente. Desenganemo-nos, Villas-Boas tem já um currículo invejável por qualquer técnico do futebol mundial, recheado de títulos, em grandes clubes europeus e sempre muito bem acompanhado. A sua chegada a técnico principal seria uma questão de tempo e, tal como pautou a sua carreira até hoje, essa estreia foi precoce e auspiciosa, colocando a Académica de Coimbra a jogar um futebol de posse de bola e domínio de jogo, muito pouco ortodoxo para o estilo de jogo tradicional das equipas mais modestas do nosso campeonato. Chegado a um grande, após o fracasso nas negociações com o Sporting, Villas-Boas transformou um Porto marcado por épocas consecutivas de futebol baseado em transições rápidas, para um estilo mais contemporâneo e orientado para a filosofia de jogo muito em voga para os lados da Catalunha, com constante controlo da bola e construção de jogo focalizada no centro do terreno. Seja colocando os extremos com os pés “trocados”, seja avançando o pivot defensivo do meio campo para funções mais ofensivas que não apenas a recuperação de bola e passe para o lado, o espaço interior é sempre privilegiado. Um futebol de tão boa qualidade e com tão bons princípios de jogo, aliado a um plantel de jogadores com mais qualidade que a maioria dos plantéis da Liga, deslumbra e cria índices de confiança tão elevados que não será descabido aspirar a voos mais altos na Europa do futebol. Será muito difícil para a concorrência desalojar uma equipa destas do primeiro lugar da Liga. Por maior que seja a sequência de vitórias dos adversários, o Porto parece estar sempre dois passos à frente, e Villas-Boas comanda rumo a um horizonte dourado para os dragões.

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