segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Alerta vermelho em Alvalade

Foram 90 minutos desesperantes para qualquer adepto leonino, tal a impotência dos comandados por Paulo Sérgio para desfeitearem um Benfica reduzido a dez unidades ao cair do pano do primeiro tempo. De facto, o Sporting foi mais perigoso quando o Benfica ainda contava por onze os seus elementos em campo, conseguindo aproveitar bem o calcanhar de Aquiles dos encarnados esta temporada, a transição ataque-defesa ainda órfã da qualidade de Ramires. Foi esta exploração dos defeitos do adversário que deu hipóteses ao Sporting de vencer a partida, mas foi também esta estratégia que impossibilitou a sua vitória.  Ou seja, quando o Benfica ainda tinha de ir atrás da imperiosa conquista dos três pontos em jogo, o Sporting podia atacar essa lacuna na transição defensiva dos encarnados e fê-lo com perigo, dominando o pendor ofensivo do jogo. Mas conseguindo colocar-se à frente do marcador e com menos um elemento em campo, o Benfica apresentou-se muito cauteloso na segunda metade da partida, recuando bastante e expondo-se menos ao contra-ataque do Sporting. Com a bola em seu domínio e contra uma defesa compacta e organizada como a dos encarnados, o Sporting mostrou mais uma vez a incompetência e a desorganização do seu futebol, demasiado má para beliscar os planos de Jesus. O Benfica não massacrou, longe disso, foi mais o Sporting que massacrou os seus adeptos com tão mau futebol. Do princípio ao fim os jogadores leoninos caíram na armadilha do fora-de-jogo e demasiadas vezes tentaram o cruzamento para o ponta-de-lança, abandonado à sua sorte no meio das torres do Benfica. Matías foi o mais esclarecido, tentou puxar a bola para o centro e conseguiu esboçar alguns lances de eventual perigo, mas muito desacompanhado. Postiga teve um dia péssimo, completamente perdido posicionalmente, Cristiano e Yannick foram iguais a si próprios com arrancadas fulgurantes inconsequentes e péssimas decisões aquando de soltar a bola. Grimi continua a viver uma vida de – parafraseando Carlos Queiróz – ex-jogador no activo, porque além de limitado é mau profissional. Com Carriço e Valdes de fora, os leões foram presas demasiado fáceis.

Por outro lado, no Benfica nem tudo são rosas. É gritante a diferença de jogo dos encarnados com Aimar e sem este, quando Martins assume a batuta do meio-campo encarnado. O argentino é o jogador mais inteligente do campeonato e Martins… é Martins (o Zidane mental do futebol português). Na transição defensiva o Benfica é permanentemente colocado em apuros e só a cada vez mais perfeita organização defensiva mantém o caminho para as redes de Roberto de difícil acesso. Roberto é mais problema do que solução e a sua qualidade é demasiadas vezes colocada em questão com decisões péssimas aquando do momento de fazer mais do que defender remates. No entanto, o campeão nacional tem virtudes que maquilham os seus poucos defeitos e o cansado dragão ainda vai ter de aguentar mais algum tempo até poder festejar porque nem a deslocação a Braga na 22ª jornada parece ser ameaça suficiente para travar a sequência vitoriosa das águias. Temos campeonato, emocionante e com duas excelentes equipas a lutar pelo título, pena que não sejam três, mas em Alvalade tenta-se tocar violinos com treinadores de heavy-metal.

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