sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Um furacão à espera de acontecer

Simon Vukcevic é talento e fúria, força e impotência, raiva e indiferença. Completamente desacreditado no período decadente da era Paulo Bento em Alvalade foi também o jogador mais influente no apogeu do agora seleccionador nacional. Começou a ser colocado à esquerda do ataque leonino, mas progressivamente foi transportando a intensidade do seu jogo para zonas mais interiores, fixando-se como segundo avançado na sua melhor fase de leão ao peito. Nesta posição foi o expoente máximo do Sporting nos últimos 4 anos, entregando-se a cada jogo como um guerreiro no campo de batalha, nunca dando nenhuma bola por perdida, irrompendo como um furacão pelas linhas defensivas adversárias, sempre com classe e técnica superiores. Foi esta sua abnegação que levou ao fim progressivo daquele que se acreditava como sendo o novo alento do Leão, caindo agarrado ao ombro depois de uma tentativa acrobática de impedir que a bola saísse pela linha lateral. Nunca mais Vukcevic entrou em paz consigo, com o clube, com todos… Encostado no banco viu o Sporting debater-se jogos atrás de jogos sem que o seu talento fosse colocado em campo para fazer face à tempestade. Com Paulo Sérgio seguiu com guia de marcha para fora de Alvalade, mas algo o fez voltar para trás, ainda mais desacreditado do que antes. Paulatinamente foi ganhando minutos nas pernas, mas não se estabeleceu ainda como titular num Sporting ensombrado e perdido no seu rumo histórico de glória. Paulo Sérgio é um defensor acérrimo dos seus jogadores, mas não se coibiu de apontar o dedo a Vukcevic depois de o ter lançado frente ao Porto, onde tentou debater-se sozinho com os Dragões numa luta desigual. O montenegrino respondeu e recusou o rótulo de bode expiatório de um treinador que chegou cedo demais a um grande, que não sabe enquadrar tacticamente uma equipa para dar espaço aos seus criativos, aos seus talentos… Vukcevic permanece em estado latente, à espera que algo aconteça, que alguém aproveite o seu valor e devolva a alegria ao seu futebol. Até lá Vukcevic debate-se consigo, com os adversários, com os colegas, com o treinador, com os adeptos, com a imprensa, com o mundo…

Sem comentários:

Enviar um comentário